O teu olhar ordenou-me que apagasse da memória a dor que me deste e o meu coração, dotado de uma imprudente imprudência que decidiu usar, arrumou essa dor numa recatada e poeirenta prateleira da minha memória.
Saíram de ti palavras que, apesar de tudo, me animaram estupidamente, me cederam malevolamente uma renovada e subentendida chama de esperança. De novo preferiste um pedido, só mais um, pediste (que para meu bem como quiseste referir) que permitisse que tomasses calmamente uma decisão sobre o que querias para ti e para mim, a réstia de um nós passado. Porque fui eu abrir-te de novo as portas do meu mundo, descortinar-te o véu que me envolve como uma proteção para o sofrimento? Será que foi por te amar? E porque te amo assim incondicionalmente? Porque sou demasiado bondosa, permissiva ou ingénua? Não. Simplesmente porque soubeste embriagar-me em ti e me provocaste este encantamento digno de Circe. Não sei sequer o que pensar ou o que sentir. Tudo me soa a ridículo. Se me tens o amor que anuncias porque me matas assim? Oh, mas não me matas ainda porque te falta o golpe final (onde o guardas de mim?) e eu a custo ainda me domino. Se não caio é porque existem fios que me suspendem, como uma marioneta de ti, desse amor que apregoas e que usas sem dó nem piedade, como queres sem satisfações. Amar-te não é suportar tudo, erguer tudo como se fosse Hércules. Toma tino rapaz que para ti o mundo pode ainda ruir hoje.

1 comentário:
obrigada, e ainda bem q gostas-te *-*
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