Seguidores

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

;fantasma

Voltas para me assombrar uma e outra vez, como um fantasma que o tempo ainda não apagou. Insistes em regressar por muito que implore que não o faças.
Matas-me mais um bocado sempre que tomas conta de mim e não te posso impedir. Arrancas-me notas de dor, músicas que não quero que ninguém oiça. Como se revelasses tudo o que sou.
Pensava que eras só uma memória, só mais uma. Afinal, não. Não é assim tão simples.
Não devia ter-te aberto as portas do meu mundo, não devia ter-te cantado quem sou e o que faz de mim o que sou. Mas foi o que fiz. Fiz e tornaria a fazer apesar de tudo, porque amor não é só mais uma palavra bonita, não é só mais um sentimento. Amor é uma capacidade que poucos têm, que tu não tens.
Se te pintei um quadro com todas as cores que tenho, foi por amor.
Desculpa se não era o que querias que te desse, desculpa se preferias que tivesse fingido como tu.
Os meus olhos passaram a desviar-se da tua imagem mas o meu pensamento dirige-se a ti. É frustrante.
Mas sabes fantasma? Não és nada, não passas dum fantasma que o tempo transformará em pó, que a memória arrumará numa prateleira longínqua.
Não me deixaste em ruínas simplesmente porque fui forte o suficiente para te impedir. Escrevi a dor que me deste numa folha de vento.
O teu tempo está a esgotar-se rápido.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

;Cristais

Ouço o som de cristais partidos tocarem o chão, como uma chuva. São pedaços dum coração que despedaçaste. Emanam uma luz que se esvai, é a inocência e a confiança nos outros que me tiraste de forma dolorosa.
Os cristais estão agora banhados em sangue. Esse sangue tão vermelho como o amor que dei sem nada pedir, as lágrimas que não quis chorar, a dor que tão covardemente me ofereceste sem que pudesse negar.
O falso amor que me deste (ou dizias dar) destruiu-me como um tornado que tudo arranca à sua passagem.
As lágrimas que por pouco não escapam surgem de cada vez que me recordo das coisas que me disseste, das belas rosas que me ofereceste e que, afinal, nada tinha de belo e eram do mais artificial possível.
Não digas que um dia me amas-te e tudo isso mudou, que me enganaste porque não o pudeste evitar, se nem conheces o Amor.
O tempo generosamente tudo cura e curar-me-à, como um ciclo da natureza que não pára nem se destrói.
A ti, o tem te dará um presente envenenado: curtos e desapaixonados amores que sempre terminarão numa fria, escura e silenciosa solidão.